A Neurofisiologia do Cérebro nos Estados de Depressão e de Ansiedade

A Neurofisiologia do Cérebro nos Estados de Depressão e de Ansiedade

A Neurofisiologia do Cérebro nos Estados de Depressão e de Ansiedade

Além dos sintomas físicos e das sensações subjetivas experimentadas pelas pessoas com depressão e ansiedade, existem fatores objetivos relacionados ao mau funcionamento da química do cérebro que influenciam diretamente nestes estados.

O nosso corpo possui mecanismos naturais para encontrar equilíbrio diante das circunstâncias de desiquilíbrio. Esse mecanismo se chama Homeostase. Inclusive para estados de depressão e ansiedade, esse mecanismo é válido, mas quando esse equilíbrio falha, a depressão e a ansiedade se sobressaem.

A comunicação entre os neurônios, ocorre através de impulsos elétricos e essa energia é conduzida através dos neurotransmissores. Esses neurotransmissores são formados por elementos químicos (enzimas). Quando existe o mau funcionamento do equilíbrio (Homeostase) essa transmissão pode ser interrompida, inibida ou até mesmo excitada.

No caso da ansiedade, os neurônios ficam agitados, pois enviam e recebem mensagens o tempo todo e o corpo fica em estado de alerta. Para cessar esse estado de ansiedade, existe um elemento químico que funciona como inibidor da transmissão da informação (ácido gama-aminobutírico – GABA).

Sendo assim, quando o GABA se liga a um neurônio, ele impede que esse neurônio continue hiperativo, promovendo sensação de calma.

No caso das pessoas que estão em depressão, o cérebro sofre alterações químicas porque ele detecta situações de ameaça, e por conta da subjetividade que existe entre as pessoas, essas alterações serão experimentadas de formas diferentes. Por exemplo, diante de uma situação de perda do emprego, algumas pessoas podem encarar esse episódio como sendo uma oportunidade para avançar na carreira, indo para uma outra empresa, outros, interpretam essa situação como sendo o fim da carreira. Pensando no segundo exemplo, o cérebro dessa pessoa acionará o estado de alerta das estruturas do hipotálamo, da amídala e a da glândula pituitária. Essas estruturas trocam informações e preparam o organismo para momentos difíceis e de grande tensão, fazendo com que as glândulas sejam acionadas com o alerta emitido pelas estruturas mencionadas anteriormente. Assim, são liberadas grandes quantidades de adrenalina. Algumas pessoas relatam sentir como que se um choque percorresse pelo corpo. Essa é uma das sensações causadas pela grande quantidade de adrenalina liberada, além de batimento acelerado do coração, bombeando mais sangue aleatoriamente para todos os órgãos do corpo. Em ritmo normal, o circuito sanguíneo vai emprestando doses adequadas de sangue para os órgãos, na medida em que estes órgãos vão necessitando, mas nessa circunstância, alguns órgãos, acabam sendo prejudicados, pois o empréstimo de sangue é inadequado. Como exemplo, vejamos o caso do sistema digestivo, que não tendo a quantidade de sangue suficiente para fazer a correta digestão, pode provocar dores na musculatura do aparelho, enjoos e até vômitos. Além das doses excessivas de adrenalina, são liberadas noradrenalina, que provoca tensionamento dos músculos e fazem com que as pessoas tenham seus sentidos e estado de vigília aumentados.

No hipotálamo está localizado a fonte de serotonina. A serotonina é um neurotransmissor responsável por equilibrar e combater estados depressivos. Em quantidades normais, traz sensação de bem-estar para o indivíduo. Quando em quantidades baixas a depressão se sobressairá. Maior parte dos antidepressivos tem como principal função aumentar a quantidade de serotonina no cérebro.

Fora todo esse processo químico, adiciona-se as questões relacionadas a neuroanatomia do cérebro. Na depressão ocorre uma inversão das funções dos dois hemisférios, esquerdo e direito. Naturalmente o esquerdo tem uma tendência para registrar as coisas positivas e faz o indivíduo partir para a ação, inclusive impulsiona o indivíduo a falar a respeito das coisas positivas. O esquerdo tem uma tendência natural para as coisas negativas, para o evitamento e pela aversão das coisas. Com essa inversão, a consequência é que as pessoas se tornam mais arredias, com dificuldades de explicar o que acontece com elas, ficam intoxicadas pelo negativo.

A depressão afeta o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal. Essas três regiões afetadas pela depressão causam grandes danos no processamento correto das informações. O hipocampo quando funcionando normalmente, tem como objetivo criar caminhos alternativos para os desafios e problemas. Já a amígdala tem como objetivo alertar a nós das situações de perigo, de gravar as impressões e registros das circunstâncias, nos ajudando decodificar as intenções dos outros. Na depressão tudo fica muito intenso, tudo fica perigoso, temível, os outros se tornam perseguidores, e o futuro é previsto como altamente preocupante e catastrófico. Assim, quem está vivenciando a depressão inevitavelmente terá grande dificuldade de tomar decisões.
Se você se identificou com este texto o conhece alguém que está passando por isso, é hora de procurar ajuda. A Psicoterapia pode ajudar muito nesses casos. O Paciente ansioso e ou deprimido aprenderá junto com seu terapeuta técnicas para reformular os pensamentos e assim poderá enfrentar melhor essas situações que são muito desconfortáveis.

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